Estudo dos Evangelhos › 11/04/2018

Evangelho de Marcos (9) – Voltar para a Galiléia

O Evangelho segundo Marcos terminava de maneira muito surpreendente. Tanto que, logo de início, foram acrescentadas notícias tomadas dos outros Evangelhos sobre a ressurreição de Jesus. É assim que os versículos 9 a 20 do capítulo 16 fazem parte do Evangelho. Que havia de tão surpreendente na “primeira edição” do Evangelho? O jovem de branco que as mulheres encontraram no sepulcro diz que Jesus ressuscitou e manda que elas digam aos discípulos que voltem para a Galiléia, que aí verão Jesus. Elas, então, fogem do túmulo e, cheias de medo, nada dizem a ninguém. Assim terminava o Evangelho. Só o leitor fica sabendo que, para ver Jesus ressuscitado, deve voltar para a Galiléia.

A Comunidade Apostólica

Galiléia é o lugar de origem de Jesus. Na Galiléia ele começou o seu movimento. Na Galiléia ele formou a comunidade dos seus discípulos. Era preciso, então, voltar às origens, recomeçar tudo de novo. A Galiléia era terra de pequenas aldeias, de gente pobre, explorada e desesperada. Foi de lá que saíram os “bandidos” ou “zelotes” para tomar o poder em Jerusalém. Para os fariseus Galiléia era, ainda mais, lugar “impuro”, porque muito próximo dos gentios, ou não judeus, e eles acabavam se misturando. Mas foi lá que tudo começou e é por lá que tudo vai ter continuidade. No meio dos pobres, perto dos gentios e dos “bandidos”, Jesus ressuscitado está com os seus discípulos.

As comunidades de hoje

O Concílio Vaticano II, realizado há mais de cinquenta anos, insistiu na volta às fontes do cristianismo. É preciso beber na fonte, na mina. A água que passa por muitas caixas, tanques e encanamentos, acaba carregando sujeiras que caem nos reservatórios e pega ferrugem dos encanamentos. A proposta do Concílio de volta às fontes tinha a intenção de nos fazer beber água mais limpa. Isso aconteceu no incentivo á leitura da Bíblia, na reforma da Liturgia e, principalmente, na busca do modelo das comunidades primitivas. Igreja deve ser o Povo de Deus em pequenas comunidades. Aí a partilha da Palavra de Deus e das orações alimenta a fé, a amizade e a solidariedade levam cada um a dar tudo pelos outros e a sombra da comunidade será remédio para todos os males e sofrimentos humanos. Ainda precisamos muito voltar à Galiléia.