Notícias › 07/12/2017

Grupos de reflexão realizam Assembleia em Nova Resende

Texto enviado pelo padre José Luiz Gonzaga do Prado/Imagem: Ana Cristina

No dia 3 de dezembro reuniram-se, como fazem há alguns anos, representantes dos grupos de reflexão da Paróquia Santa Rita de Cássia, em Nova Resende.

A oração inicial foi feita em torno de mudas de flores trazidas pelos participantes. O texto da oração foi o de uma oração encontrada na Laudato Si’. Em seguida os participantes comentaram: algumas plantas não necessitam de tantos cuidados, outras já exigem mais cuidados, são mais sensíveis. É preciso saber lidar com cada uma de um jeito. A mesma coisa acontece com as pessoas. Outra reflexão: para levar uma planta a produzir leva tempo, precisa ter persistência e paciência, a natureza não dá saltos. Para destruir, entretanto, é fácil. O mesmo acontece na pastoral.

Em seguida Ronei, secretário de Ação Social do Município, falou de um levantamento feito pela sua secretaria especificamente sobre as condições de moradia no município. Aí se descobriu que há ainda muita pobreza, algumas famílias estariam abaixo da linha da pobreza, se não fossem os programas sociais mantidos pelo Governo Federal.

Os participantes foram divididos em cinco grupos para ler e comentar a recente Nota da CNBB sobre o atual momento político do Brasil. O plenário somou e completou as reflexões feitas nos grupos. Destacamos esta: “Não adianta colocar madeira nova, sem antes acabar com os carunchos”. Para acabar com os carunchos apareceu, como única perspectiva, a proposta de Reforma Política por Constituinte Apolítica. Os constituintes seriam de fora dos partidos políticos e, depois, não poderiam se candidatar por alguns anos.

NOTA DA CNBB SOBRE O ATUAL MOMENTO POLÍTICO

“Aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido” (Is 1,17)

  1. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através de seu Conselho Permanente, reunido em Brasília de 24 a 26 de outubro de 2017, manifesta, mais uma vez, sua apreensão e indignação com a grave realidade político-social vivida pelo País, afetando tanto a população quanto as instituições brasileiras.
  2. Repudiamos a falta de ética, que há décadas, se instalou e continua instalada em instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito. A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo Governo é uma afronta aos brasileiros. A retirada de indispensáveis recursos da saúde, da educação, dos programas sociais consolidados, do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), do Programa de Cisternas no Nordeste, aprofunda o drama da pobreza de milhões de pessoas. O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave.
  3. A apatia, o desencanto e o desinteresse pela política, que vemos crescer dia a dia no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais, têm sua raiz mais profunda em práticas políticas que comprometem a busca do bem comum, privilegiando interesses particulares. Tais práticas ferem a política e a esperança dos cidadãos que parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto. É grave tirar a esperança de um povo. Urge ficar atentos, pois, situações como esta abrem espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia no País.
  4. Apesar de tudo, é preciso vencer a tentação do desânimo. Só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania, é capaz de purificar a política, banindo de seu meio aqueles que seguem o caminho da corrupção e do desprezo pelo bem comum. Incentivamos a população a ser protagonista das mudanças de que o Brasil precisa, manifestando-se, de forma pacífica, sempre que seus direitos e conquistas forem ameaçados.

Chamados a “esperar contra toda esperança” (Rm 4,18) e certos de que Deus não nos abandona, contamos com a atuação dos políticos que honram seu mandato, buscando o bem comum.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, anime e encoraje seus filhos e filhas no compromisso de construir um País justo, solidário e fraterno.

Brasília, 26 de outubro de 2017

Para Refletir

Ler Isaías 1,10-17

  1. Como entendem a “apreensão e indignação” que os bispos dizem sentir diante da situação política do Brasil? Vocês sentem a mesma coisa? Encontram isso em Is 1,10-17?
  2. O que vem acima: a falta de ética, a barganha e a retirada de recursos explicam porque os bispos falam desse divórcio entre a política e a sociedade? Encontram isso em Is 1,10-17?
  3. É verdade que existe um desencanto com a política, que não se acredita mais na força do voto, que estão tirando a esperança do povo? Já ouviram falar de um oportunista Salvador da Pátria? Encontram isso em Is 1,10-17?
  4. Como vencer a tentação do desânimo? Como incentivar uma reação do povo como protagonista das mudanças necessárias? Encontram isso em Is 1,10-17?
  5. Ordem e Progresso: Ordem para quem? Progresso para quem? Encontram isso em Is 1,10-17?