Notícias › 15/01/2016

Iniciação Teológica: “despertar pessoal para que seja uma ação comunitária”

“O curso de Iniciação Teológica é um passo para quem não quer nunca deixar de caminhar visando sempre o horizonte”, assim define o curso, realizado anualmente há 17 anos na Diocese de Guaxupé, a participante Sílvia Silva de Passos.

Realizado entre 10 e 17 de janeiro, o curso acolhe 76 leigos de várias paróquias da diocese, 11 clérigos envolvidos como professores e 11 voluntários com o objetivo de proporcionar uma semana intensa de estudos e convivência. Divida por módulos, a Iniciação Teológica oferece disciplinas teológicas como História da Igreja, Teologia da Revelação, Antropologia Teológica, Sagrada Escritura, Sacramentos e Liturgia, Cristologia, Eclesiologia e Mariologia, Escatologia, Moral e Espiritualidade.

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Professor da área sacramental e litúrgica, padre Renato César Gonçalves indica que o conhecimento transmitido durante a realização do curso vai muito além da informação teórica. “A iniciação teológica tem o sentido de realizar um despertar, colocá-los num processo de crescimento e amadurecimento daquilo que eles receberam pelo Batismo-Crisma, a dimensão da fé”. “Em sua maioria, eles levam isso para a vida, para o seu dia a dia e conseguem colocar em prática, não somente ensinando aquilo que eles aprendem aqui, mas vivendo a partir do que aprendem”, pondera o padre.

Essa mudança pessoal que incide na vivência comunitária é lembrada por dois concluintes, são eles Joaquim Avelar de São Sebastião do Paraíso e Maria Augusta Cardoso de Carmo do Rio Claro. “Passei a olhar todos e tudo com outros olhos. Já amava, mas agora amo ainda mais Jesus Cristo. Compreendi o grande amor de Deus por nós”, avalia Maria Augusta. Para Joaquim o ensinamento recebido deve ser partilhado, “o importante agora é se colocar em missão e colaborar com crescimento de nossa comunidade”.

A interação e envolvimento durante as aulas e a partilha informal em outras atividades propostas durante a semana contribuem para um enriquecimento amplo dos participantes. “Cada um vem carregado com a sua história e composto com a sua identidade diante da vida que leva fora daqui. Mesmo que sejam situações, realidades ou cidades muito distantes umas das outras, existem muitos aspectos que todos têm em comum e, a partir do momento que essa característica em comum é descoberta, a gente começa a entrelaçar as relações, entrelaçar as vidas e fazer com que eu possa trazer um acréscimo a eles e eles possam me acrescentar”. Esse é o depoimento da psicóloga Alessandra Dias Ribeiro de Campestre, ex-participante e voluntária do curso como monitora há mais de 10 anos.

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Para Alessandra, a duração do curso, que atualmente é de 4 anos, tem uma relevância fundamental, pois após terminadas as semanas, os participantes podem desenvolver-se em suas realidades, gerando um crescimento não só pessoal, mas sobretudo comunitário. “Esse curso não é de uma formação só pessoal, mas um despertar pessoal para que seja uma ação comunitária. Quando a gente para pra observar módulo por módulo, a gente consegue ver o crescimento e, que as sementes foram lançadas, para que outras pessoas possam vir e que esses frutos sejam colhidos nas comunidades”, destaca a psicóloga.

O resultado desse processo pode ser resumido pela fala de uma das participantes, Ivani Braga de Conceição Aparecida: o primeiro ano é marcado pelo deslumbramento; no segundo módulo é uma etapa de acordar e perceber o valor da Bíblia; no terceiro ano, a paixão convicta que se manifesta na liturgia; e na última etapa, uma mistura de satisfação, alegria, mas também de mistério e saudade.

Além da saudade, outras reações parecem ser comuns àqueles que finalizam este percurso, a constante busca pelo conhecimento e o aprimoramento da fé. “Há uma longa e desafiadora caminhada a ser percorrida em busca de mais respostas e mais mudança de vida. E o melhor: nunca estaremos prontos”, conclui Emília Mendes, participante de Pratápolis.