Mensagem do Papa Francisco aos Catequistas

São Francisco de Assis, quando um de seus seguidores insistia para que ele o ensinasse a pregar, respondeu-lhe assim: «Irmão, quando visitamos aos enfermos, ajudamos às crianças e damos comida aos pobres já estamos pregando». Nesta bela lição encerra-se a vocação e a missão do catequista.

Em primeiro lugar, a catequese não é «trabalho» ou uma tarefa externa à pessoa do catequista, mas se “é” catequista e toda a vida gira em torno desta missão. De fato, «ser» catequista é uma vocação de serviço na Igreja, o que se recebeu como dom do Senhor deve, por sua vez, ser transmitido, e é por isso que o catequista deve voltar constantemente àquele primeiro anúncio ou «kerygma», que é o dom que mudou sua vida. É o anúncio fundamental que deve ressoar sempre na vida do cristão e, ainda mais, na vida naquele que foi chamado a anunciar e ensinar a fé. «Nada há mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais denso e mais sábio que esse anúncio» (Evangelii Gaudium, 165). Este anúncio deve acompanhar a fé que já está presente na religiosidade do nosso povo. É necessário cuidar de todo o potencial de piedade e amor que envolve a religiosidade popular para que se transmitam não só os conteúdos da fé, mas para que também se crie uma verdadeira escola de formação em que se cultive o dom da fé que se recebeu, de modo que os atos e as palavras manifestem a graça de ser discípulos de Jesus.

O catequista caminha a partir de Cristo e com Cristo. Não é uma pessoa que parte de suas próprias ideias e gostos, mas que se deixa olhar por ele, por este olhar que faz o coração arder. Quanto mais Jesus se tornar o centro de nossa vida, tanto mais nos faz sair de nós mesmos, nos descentraliza e nos torna próximos dos outros. Esse dinamismo do amor é como o movimento do coração: «sístole e diástole»; concentra-se para se encontrar com o Senhor e, imediatamente se abre, saindo de si por amor, para dar testemunho de Jesus e falar de Jesus, pregar Jesus. Ele mesmo nos dá o exemplo: retirava-se para rezar ao Pai e, imediatamente, saía ao encontro dos famintos e sedentos de Deus, para curá-los e salvá-los. Daqui nasce a importância da catequese «mistagógica» que é o encontro constante com a Palavra e com os sacramentos e não algo meramente ocasional antes da celebração dos sacramentos da iniciação cristã. A vida cristã é um processo de crescimento e de integração de todas as dimensões da pessoa num caminho comunitário de escuta e de resposta (cf. Evangelii Gaudium, 166).

Além disso, o catequista é criativo; busca diferentes meios e formas para anunciar a Cristo. É bonito crer em Jesus, porque ele é «o caminho, e a verdade e a vida» (Jo 14, 6) que plenifica nossa existência de gozo e de alegria. Esta busca em fazer Jesus conhecido como suma beleza nos leva a encontrar novos sinais e formas para a transmissão da fé. Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha diante dele para aproximá-las do amor de Deus. É necessário saber «mudar», adaptar-se, para fazer a mensagem mais próxima, mesmo sendo sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas nele. Na busca criativa de fazer Jesus conhecido não devemos sentir medo porque ele nos precede nesta missão. Ele já está no homem de hoje, e ali nos espera.

Queridos catequistas, agradeço-vos pelo que fazeis, mas sobretudo, porque caminhais com o povo de Deus. Encorajo-vos a ser alegres mensageiros, guardiães do bem e da beleza que brilham na vida fiel do discípulo missionário.

Que Jesus vos abençoe e a Virgem santa, verdadeira «educadora da fé», vos proteja.

E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

Vaticano, 5 de julho de 2017

Francisco