Notícias › 25/07/2015

Padres participam de formação sobre Bioética

100_7328Entre os dias 20 a 23 de julho, o bispo diocesano, oitenta padres e cinco seminaristas em ano pastoral se reuniram na Casa Dom Luís, em Brodowski (SP), para a formação permanente anual. O tema Bioética norteou as reflexões acerca da dignidade da pessoa e seu direito à vida, oferecendo critérios para o discernimento dos dilemas atuais nessa área à luz da Tradição com o olhar crítico e criterioso da Teologia Moral. Assessorou o encontro o padre Ricardo Hoepers, doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana, Instituto de Teologia Moral da Universidade Lateranense (Roma, Itália) e professor de Bioética do Studium Teologicum, Curitiba (PR).

Durante todo o percurso formativo, o assessor explicitou que a bioética provoca um paradoxo, isto é, dois sentimentos contraditórios: fascínio pragmático que defende todo e qualquer meio científico ou tecnológico que traga “melhorias” para os seres (pós) humanos; repulsa por qualquer tema que envolva os desafios e dilemas contemporâneos, no sentido de posicionar-se contra qualquer tentativa de diálogo com a pós-modernidade no que se refere a adoção de experiências que se relacionam com a vida e a morte do ser humano. Assim, o equilíbrio almejado pela bioética católica, visa iluminar a sociedade a respeito das implicações ético-teológicas de uma verdadeira humanização, levando em conta à posição da teologia moral frente a questões do aborto, procriação assistida, terapia e tratamentos relacionados à sexualidade, avanço científico tecnológico em detrimento da vida humana, pesquisas em embriões, eutanásia, distanásia e tratamento paliativo.

100_7310Reafirmou-se no encontro os principais argumentos em favor da vida. Para os cristãos o principal argumento é pautado na tradição bíblica: o direito da vida e da morte pertence exclusivamente a Deus. Por isso, a vida não pode ser banalizada, comercializada ou desvalorizada desde a concepção à morte natural. A Igreja, em sua postura pastoral, deve denunciar os valores pragmáticos e utilitaristas que visam exterminar todos os considerados inúteis e improdutivos dentro de uma perspectiva que não reconhece o verdadeiro significado da vida humana.

Sobre as questões relacionadas ao término da vida, a síntese ética entre morrer com dignidade e o respeito à vida humana, a Igreja se posiciona contra a eutanásia (abreviação da vida) e a distanásia (prolongamento da agonia e do processo de morrer), ao mesmo tempo que propõe  a ortotanásia, ou seja,  quando a pessoa acolhe a morte iminente e inevitável mediante o cuidado paliativo, rodeado pela família, amigos e pelos próprios profissionais da saúde, encarando o fim da vida não como uma doença da qual se busque a cura a qualquer custo, mas sim como uma condição que faz parte do ciclo natural e humano.

Nas palavras do representante dos presbíteros, padre César Acorinte, “foi muito proveitoso no sentido de estarmos aprofundando estes temas sobre a bioética, que muito nos ajudam nos trabalhos pastorais, no atendimento do povo, e nas respostas aos questionamentos que surgem”.

O encontro de formação permanente visou fomentar o zelo pastoral e cuidado no atendimento aos fiéis em tempos de profundos dilemas existenciais e morais, mas também promoveu momentos de oração, confraternização e partilha de experiências pastorais, revelando a comunhão e a unidade do clero diocesano.

Por Jeremias Nicanor Alves Moreira