Notícias › 30/07/2016

Papa visita campos de concentração em clima de oração e silêncio

Da Rádio Vaticana

O mistério do mal marcou a sexta-feira (29/7) do papa Francisco na Polônia. O Pontífice fez uma pausa na festa da juventude mundial para se interrogar sobre o sofrimento humano, visitando os campos de extermínio de Auschwitz e Birkenau em silêncio e oração.

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Auschwitz

A pé, Francisco atravessou o arco de ingresso com a escrita em alemão “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta) e se dirigiu ao chamado “Bloco 11”, onde se deteve em oração silenciosa na praça diante do edifício – local em que são Maximiliano Kolbe ofereceu a sua vida para salvar outro prisioneiro, um pai de família.

Diante do prédio, o papa foi acolhido pela primeira-ministra, Beata Maria Szydlo, e cumprimentou individualmente 10 sobreviventes do campo de concentração. O último deles entregou uma vela ao Pontífice, que ele acendeu e ofereceu como dom ao local, detendo-se mais uma vez em oração diante do muro usado para o fuzilamento dos prisioneiros.

Na sequência, Francisco entrou no edifício para rezar na “cela 18”, onde são Maximiliano Kolbe pagou a pena destinada ao pai de família, que consistia na morte lenta, através da privação de água e comida. Depois de duas semanas de agonia e diante da obstinação do franciscano em rezar e entoar hinos à Maria, o sacerdote polonês morreu por envenenamento no dia 14 de agosto de 75 anos atrás, em 1941. Na saída, o Pontífice assinou o Livro de Ouro e escreveu: “Senhor, tem piedade do teu povo. Senhor, perdão por tanta crueldade”.

Birkenau

Três quilômetros separam Auschwitz de Birkenau. Ao chegar na entrada principal deste segundo campo, Francisco percorreu de carro elétrico a ferrovia até a praça do Monumento às Vítimas das Nações. Ali o aguardavam cerca de mil convidados, a Primeira-Ministra e o Diretor do Museu de Auschwitz-Birkenau.

O Pontífice passou diante das lápides comemorativas nas várias línguas dos prisioneiros e depois de uma oração silenciosa, depositou uma vela. A seguir, encontrou 25 “Justos entre as nações”, isto é, pessoas não judias que receberam um reconhecimento por arriscarem suas vidas durante o Holocausto para salvar judeus do extermínio nazista. Um rabino entoou o Salmo 130 em hebraico, que depois foi lido em polonês por um sobrevivente.

Hospital pediátrico

Na parte da tarde, o papa voltou a se interrogar sobre o mistério do sofrimento visitando o maior hospital pediátrico da Polônia, localizado em Prokocim. Todos os anos, o hospital oferece tratamento a 30 mil crianças, além de 200 mil consultas efetuadas.

Via-Sacra

O último compromisso de Francisco nesta sexta-feira foi a celebração da Via-Sacra com os jovens, na esplanada de Blonia. O tema das estações foi inspirado nas 14 obras de misericórdia corporais e espirituais.

Arcebispado de Cracóvia

À noite, numa das janelas do prédio do Arcebispado de Cracóvia, o papa Francisco mencionou algumas palavras em relação às experiência vividas nesse dia, principalmente a visita aos campos de concentração:

“Fui a Auschwitz e a Birkenau. Recordar dores de 70 anos atrás: quanta dor, quanta crueldade! Mas é possível que nós, homens criados à semelhança de Deus, sejamos capazes de fazer estas coisas? As coisas foram feitas… Eu não gostaria de vos deixar amargurados, mas devo dizer a verdade. A crueldade não acabou em Auschwitz, em Birkenau: também hoje. Hoje! Hoje se tortura as pessoas; tantos prisioneiros são torturados, para fazê-los falar… É terrível! Hoje existem homens e mulheres em prisões superlotadas: vivem – perdoem-me – como animais! Hoje existe esta crueldade. Nós dizemos: ‘Sim, ali, vimos a crueldade de 70 anos atrás. Como morriam fuzilados ou enforcados ou com gás’. Mas hoje, em tantos lugares do mundo, onde existe guerra, acontece a mesma coisa!

Nesta realidade Jesus veio para carregá-la nas próprias costas. E nos pede para rezar. Rezemos por todos ‘os Jesus’ que hoje estão no mundo: os famintos, os sedentos, os doentes, os solitários; aqueles que sentem o peso de tantas dúvidas e culpas. Sofrem tanto… Rezemos pelos tantos doentes, crianças inocentes, as quais levam a Cruz como crianças. E rezemos por tantos homens e mulheres que hoje são torturados em tantos países do mundo; para os encarcerados que estão todos  empilhados ali como se fossem animais. É um pouco triste aquilo que vos digo, mas é a realidade! Mas é também a realidade que Jesus carregou sobre si, todas estas coisas. Também o nosso pecado.

Todos aqui somos pecadores, todos temos o peso dos nossos pecados. Não sei… se alguém aqui não se sente pecador levante a mão! Todos somos pecadores. Mas Ele nos ama, nos ama! E façamos como os pecadores, mas filhos de Deus, filhos do Pai. Façamos todos juntos uma oração por estas pessoas que sofrem no mundo hoje, por tantas coisas erradas, tanta maldade. E quando existem as lágrimas, a criança procura a mãe. Também nós pecadores somos crianças, busquemos a mãe a rezemos a Nossa Senhora todos juntos, cada um na própria língua”.