RAMOS A PÁSCOA

holy-weekSão muitos os textos bíblicos indicados para esta Semana Maior. Preferimos dar apenas uma breve indicação ou comentário de cada texto, sem desenvolver para cada dia nossa reflexão costumeira, que parte da Realidade e chega ao Mistério celebrado. Os textos e os temas desses dias são tão densos que o leitor não precisará dessa ajuda para percorrer ele mesmo esse caminho.

DOMINGO DE RAMOS

Procissão

Evangelho (Mc 11,1-10) A entrada de Jesus em Jerusalém lembra o Profeta Zacarias. Ele anunciava um governante que viria, não montado em um cavalo, o animal de guerra, nem com armas na mão, mas desarmado, manso e humilde. Viria montado num jumen-to, o animal pequeno e resistente do trabalho de todo o dia.

 Missa da Paixão

 OS TEXTOS BÍBLICOS

1a. Leitura (Is 50,4-7) Vamos ouvir trecho de um poema escrito cerca de quinhentos anos antes de Cristo. Fala de alguém que vence a violência, sendo vítima da violência e resistindo, sem praticar violência e sem se sentir derrotado. Vemos a realização disso em Jesus.

Salmo (22 [21],8-9.17-18a. 19-20.23-24) O Salmo é a oração de alguém que viu a morte de perto, mas salvou-se e agradece a Deus. Nós o cantamos pensando em Jesus.

2a. Leitura (Fl 2,6-11) Segundo Paulo, Adão era imagem ou aparência de Deus, mas quis roubar a igualdade total com Deus. Jesus vence o orgulho e a ganância de Adão, fazendo-se escravo de todos e aceitando a humilhação máxima, a morte de cruz.

3a. L. Evangelho (Mc 14,1-15,47)1 Este ano lemos a Paixão de Jesus segundo Marcos. Esse Evangelho foi escrito muito próximo da revolução contra Roma. Os revolucionários eram chamados de “bandidos”. Várias vezes o evangelista fala nos “bandidos”. O evangelista tem no pensamento os quatro poemas do livro de Isaías, os Cânticos do Servo do Senhor, que falam de um justo e inocente que sofre e é massacrado exatamente por ser justo. Ele, porém, resiste, fica firme, até que os perseguidores reconheçam seu erro. Ele vence pela firmeza e coerência diante das violências sofridas. Ouçamos.

TRÍDUO SAGRADO

QUINTA FEIRA SANTA

 Missa do Crisma

 OS TEXTOS BÍBLICOS

1a. Leitura (Is 61,1-3a.6a.8b-9) A nação tinha sido destroçada no exílio da Babilônia. Agora o profeta vê a restauração como um jubileu, ano do agrado do Senhor, momento de recuperar os que tinham sido massacrados. O Ungido fará isso.

Salmo (89 [88], 21-22.25.27) Cantamos o ungido Davi e, com ele, todos os ungidos, Cristo e os cristãos.

2a. Leitura (Ap 1,5-8) João, no Apocalipse, fala a pequenas e pobres comunidades cristãs que parecem um nada diante do poder do Império. Somos um reino de sacerdotes. E diante de Jesus, o crucificado, os poderosos têm de bater no peito.

3a. L. Evangelho (Lc 4,16-21)2 Jesus se apresenta como o Ungido que vem realizar as palavras da primeira leitura. Vem proclamar a Boa Notícia para os pobres, ou seja, o Ano do Jubileu, libertação dos escravos, perdão das dívidas e re-distribuição das terras.

 Missa Vespertina da Ceia do Senhor

OS TEXTOS BÍBLICOS

1a. Leitura (Ex 12,1-8.11-14) A páscoa dos judeus, como vamos ouvir nesta Leitura, inclui a morte de um cordeiro. Seu sangue será garantia de que não haverá morte naquela casa e, enquanto os egípcios choram os seus mortos, o povo escravo foge do cativeiro.

Salmo (116B [115], 12-13.15-16bc.17-18) Cantamos no Salmo a alegria da libertação.

2a. Leitura (1Cor 11,23-26) Em Corinto os poucos ricos e importantes estavam usando a celebração da Ceia do Senhor para humilhar a maioria pobre. Paulo lembra que o significado do pão partido é o da humilde entrega que Jesus faz de si mesmo

3a. L. Evangelho (Jo 13,1-15)3 O significado do Lava-pés não é simplesmente de humildade. É o do amor capaz de dar a vida em favor dos outros. É o da mudança completa de critérios: Agora ser Mestre e Senhor é abaixar-se diante do outro, lavar-lhe os pés, dar a vida por ele.

 SEXTA FEIRA SANTA

Solene Ação Litúrgica da Sexta-feira Santa

 OS TEXTOS BÍBLICOS

1a. Leitura (Is 52,13-53,12) Vamos ouvir um poema que fala de alguém que, sofrendo violência, acaba com a violência. No início e no final é Deus quem fala. No restante, falam os opressores. Eles reconhecem que mereciam o castigo que o justo padece. Jesus realiza plenamente essas palavras.

Salmo (31 [30],2.6.12-13.15-17.25) Colocamos nos lábios de Jesus as palavras do Salmo, oração de um sofredor.

2a. Leitura (Hb 4,14-16; 5,7-9) Alguns, com saudade do antigo templo e dos antigos sacerdotes, estavam desistindo da fé cristã. Aqui Jesus é apresentado como o maior de todos os sacerdotes. Mas ele chegou aí pela cruz, único caminho de salvação.

3a. L. Evangelho (Jo 18,1-19,42)4 Na paixão segundo João é de se notar a altivez de Je-sus, sempre de cabeça erguida e tomando todas as iniciativas. Como ele disse: “Ninguém me tira a vida, eu a dou por mim mesmo!”. Além disso, aparece a desmoralização do poder de Pilatos e da fé dos dirigentes judeus, que ao reinado de Deus e preferem o império de César.

 SÁBADO SANTO

Vigília Pascal

 OS TEXTOS BÍBLICOS

1a. Leitura Gn (1,1-2,2) A primeira narrativa bíblica da criação vai nos lembrar que a Ressurreição de Cristo é o começo de uma nova criação, um novo mundo. Hoje é o primeiro dia novamente.

Salmo (104 [103],1-2a.5-6.10.12-14.24.35 ou 33 [32],4-7.12-13.20.22) Cantamos no Salmo o Deus da criação

2a. Leitura (Gn 22,1-18) Isaque, filho único de Abraão seria sacrificado sobre um altar, mas não o foi. Tornou-se, depois, bênção e pai de uma grande descendência. Para nós hoje é figura da morte e ressurreição de Jesus.

Salmo (16 [15],5.8-9a.10-13.15-18) Com as palavras deste Salmo cantamos a Ressurreição de Jesus.

3a. Leitura (Ex 14,15-15,1) A noite da Páscoa hoje lembra a noite da Páscoa dos hebreus. O Cordeiro foi sacrificado e eles se alimentaram com sua carne. Em seguida es-caparam da escravidão, atravessando as águas Mar Vermelho. Tudo nos lembra o Batismo.

Salmo (Ex 15,1-6) Cantamos hoje o cântico de Maria, irmã de Moisés, após a travessia do Mar Vermelho.

4a. Leitura (Is 54,5-14) Isaías falava da esperança de restauração para a cidade de Jerusalém. Nós ouvimos esta leitura pensando na Ressurreição de Cristo e na renovação das comunidades dos seus discípulos, a Igreja.

Salmo (30 [29], 2.4-6.11-13) Com o Salmo cantamos a Ressurreição de Jesus e a nossa esperança.

5a. Leitura (Is 55,1-11) Isaías falava da esperança de um povo sofredor que se apoiava na Palavra de Deus. Hoje, para nós, esta leitura lembra a esperança que renasce com a ressurreição de Cristo.

Salmo (Is 12,2-6) Com as palavras do cântico de Isaías, cantamos a Ressurreição e a esperança.

6a. Leitura (Br 3,9-15.32-4,4) Esta meditação sobre o sofrimento do povo exilado, escravo e perdido serve também para pensarmos na Ressurreição de Jesus e na esperança que nos deve animar, se nos apoiamos na Palavra de Deus.

Salmo (19 [18], 8-11) Cantamos no Salmo a força da Palavra de Deus.

7a. Leitura (Ez 36,16-17a.18-28) O povo sofria no cativeiro, longe de sua terra. A causa desse sofrimento é o pecado, as injustiças contra os irmãos e a idolatria, colocar outras coisas no lugar de Deus. Para acabar com o mal pela raiz, o profeta anuncia uma água para lavar e um coração novo. Hoje, pensamos no Batismo.

Salmo (42 [41],3.5; 43 [42], 3-4.) Com as palavras do Salmo cantamos nossa sede de Deus, sede que lembra a água do batismo.

8a. Leitura (Rm 6,3-11) Batizar significa mergulhar. Paulo lembra o significado do Batismo como mergulho na morte de Cristo, a caminho da Ressurreição.

Salmo (118 [117],1-2.16-17.22-23) Com as palavras do Salmo cantamos o Batismo que nos abriu as portas da comunidade dos discípulos de Jesus, a Igreja.

9a. L. Evangelho (Mc 16,1-8)5 Começa uma nova humanidade. Testemunho de mulher nada valia, agora elas são as testemunhas. Para este Evangelho Jesus está vivo, mas só pode ser visto na Galiléia, na comunidade, onde forma os discípulos.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende