Assunção de Nossa Senhora

assunçãoOs Textos

1ª Leitura – Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab

Salmo – Sl 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b)

2ª Leitura – 1Cor 15,20-26.28

Evangelho – Lc 1,39-56

A Realidade

Hoje o que não aparece não existe. Por isso talvez, a vontade louca de aparecer, de fazer sucesso, de dar ibope. Além disso, o refrão inúmeras vezes repetido é que a pessoa precisa ser competente, e não só, ter também boa aparência e numerosos títulos.

Uma jovem, mulher, pobre, sem estudos, nascida e criada em algum ponto perdido do mundo, “onde – se costuma dizer – o Judas perdeu as botas”, teria algum lugar, algum espaço? Alguém lhe daria algum valor? Ou sua passagem pelo mundo não ficaria totalmente ignorada?

A Palavra

A solenidade da Assunção de Maria celebra a glorificação, semelhante à de seu filho Jesus, daquela que não seria ninguém, por ser mulher onde só o homem tinha voz, e era pobre, sem estudos e de uma aldeia desprezada, na periferia do Império.

Ela mesma, nas palavras que o Evangelho coloca em seus lábios, canta que Deus faz é assim: despreza os que se acham muito grandes, derruba os poderosos, deixa os ricos de mãos vazias, mas alimenta com fartura os famintos e exalta os humildes. Nossa Senhora da Glória é a glória dos humildes.

Na Primeira Leitura aplicamos a ela as palavras do Apocalipse. O livro do Apocalipse foi escrito para animar as comunidades pobres e perseguidas da região. A figura da mulher pode ser a comunidade cristã, o Israel antigo e também Maria. Vendo Maria na mulher vestida de sol e calçada de lua, colocada nas alturas, nós a vemos como modelo e esperança nossa.

Ela é a vitória contra os dragões deste mundo, vencendo até o dragão da morte. Uma das características do mundo atual é o culto exagerado do corpo. Entretanto, a filosofia grega que influenciou muito a nossa Igreja, desprezava o corpo e o considerava uma prisão da alma.

Não celebramos que a alma de Maria foi para o céu, celebramos sua glorificação de corpo e alma. Ela não se transformou em “alma do outro mundo”, não deixou de ser humana e corporal, como nós também não deixaremos.

 A Eucaristia celebra, nos pobres sinais do pão e do vinho, a salvação que vem do corpo e sangue do Senhor doados por nós. Missa rica é contradição. A salvação celebra-da não vem daquele que tem o primeiro lugar, mas daquele que está no fim da fila, vem do excluído da cidadania, da cidade e da própria religião.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende- MG