Solenidade de Pentecostes

pentecostesOs Textos

1ª Leitura – At 2,1-11

Salmo – Sl 103, 1ab.24ac.29bc-30 31.34 (R.30)

2ª Leitura – 1Cor 12,3b-7.12-13

Evangelho – Jo 20,19-23

A Realidade

Ninguém pode negar que de uns tempos para cá o Espírito Santo entrou com mais força no horizonte religioso dos católicos. Mas o papel que se atribui ao Espírito Santo, muitas vezes não se parece muito com aquilo que os textos do Novo Testamento apontam.

Às vezes o Espírito Santo parece ficar reduzido a provocar emoções fortes, senão um clima de transe ou hipnose coletiva, que pode levar a momentos em que todos falam ao mesmo tempo, balbuciando coisas ininteligíveis, numa grande desordem. Fica parecendo uma torre de Babel, onde todos falam e ninguém se entende, imagem perfeita da desordem do nosso mundo.

A Palavra

Pentecostes é festa dos judeus. Cinquenta dias depois da Páscoa, eles celebram a Aliança do Sinai ou a doação da Lei. Quando os Atos dos Apóstolos colocam a primeira manifestação do Espírito Santo neste dia, querem lembrar-nos que o Espírito é a nova lei, escrita no interior de cada um, como já anunciava o profeta Jeremias (Jr 31,32-33).

Em Pentecostes acontece o contrário da torre de Babel. Lá a arrogância e o espírito de competição provocaram a confusão das línguas, ninguém mais se entendia. Aqui o Espírito acaba com a confusão, pessoas das mais diversas nações e línguas entendem o que dizem os humildes galileus.

Na Segunda Leitura, Paulo lembra que todos os dons devem servir para o proveito, não dos indivíduos, mas da comunidade. Lembra ainda que a variedade de dons, de ministérios e de atuações não deve ser motivo de competição, de divisão, mas deve unir todos, no Pai que atua, no Filho que organiza e no Espírito Santo que distribui os dons.

No Evangelho segundo João, que lemos hoje, a doação do Espírito Santo acontece na tarde do domingo de Páscoa. Isso, se não entendermos como fazem muitos, que foi no próprio momento da morte gloriosa de Jesus. “Ele inclinou a cabeça e comunicou o espírito”, a capacidade de amar como ele amou. No capítulo 7,39 o Evangelista já dissera: “Não havia Espírito porque Jesus ainda não tinha sido glorificado”.

O Mistério

Celebramos o amor que não confunde nem divide, mas une os grãos dispersos num só pão, os cachos de uva num só vinho e que, partido e repartido, significam a morte que revela o Amor e comunica o Espírito.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende – MG