Solenidade de Todos os Santos

Os Textos

1ª Leitura – Ap 7,2-4.9-14

Salmo – Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

2ª Leitura – 1Jo 3,1-3

Evangelho – Mt 5,1-12a

A Realidade

A busca da felicidade é colocada como principal objetivo pessoal. Mais e mais se acentua a individualidade, o direito da pessoa de ser ela mesma e de buscar a felicidade.

Onde se procura felicidade? Não vai muito além disto: ter tudo o que deseja para seu conforto e bem estar, e amizades, bom nome, prestígio. Resta a dúvida se alguém pode alcançar as duas coisas sem dificuldade e se isso é tudo, se realiza a pessoa, se satisfaz plenamente.

A Palavra

O Evangelho dessa solenidade de todos os Santos já nos surpreende quando diz que bem-aventurado, feliz, é o pobre e o perseguido. E as duas bem-aventuranças têm em comum que deles é, no presente, o Reino dos Céus. Não se trata do céu como entendemos. A palavra Céus aí está apenas substituindo a palavra Deus. A eles já pertence o Reinado de Deus aqui na terra, o começo de um outro mundo possível, sim, mas onde o joio ainda se mistura ao trigo.

Uma multidão de sofredores seguia Jesus. Por isso, ele dá aos discípulos estas instruções: O pobre por espírito, por convicção interior, e o perseguido, odiado por sonhar com o Reinado do Pai de todos, são eles que realizam esse Reinado.

Aí, os que sofrem, os que choram, os que têm fome e sede, os mansos ou carentes, vão, no futuro, sair do seu sofrimento. Os que contribuem para o Reinado com mente limpa, misericórdia e luta pela paz, também receberão sua recompensa. Mas os santos, aqueles a quem já pertence o Reinado de Deus, são os pobres por espírito e os perseguidos. E são felizes, porque plenamente realizados.

O Apocalipse, para dar esperança a cristãos pobres e vítimas de perseguição, fala de uma visão do céu. Lá estão os vencedores, vestem branco como faixa de campeão e, nas mãos, têm palmas como troféus. De onde vieram eles? Da luta identificada com a do Cordeiro.

O Mistério

A Eucaristia celebra “o sangue do Cordeiro” no qual os santos alvejaram suas vestes, conseguiram a veste branca, a faixa de campeões. Celebra o pobre perseguido que tira o pecado do mundo, que começa o outro mundo possível, invertendo os critérios. Agora ser feliz e realizado não é ter tudo e estar acima de todos. É sacrificar tudo e assumir o último lugar. Só o pão partido e repartido celebra o mundo de verdadeiros irmãos.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende