Arquivo, Notícias › 29/09/2013

Clero tem retiro pregado por dom Geraldo Majella

“Vamos entrar em clima de deserto. Não tenhamos medo de Deus e sobretudo do seu silêncio.” Assim motivado, aos 78 anos, sendo padre há 55 e 34 bispo, dom Geraldo Majella Agnelo, cardeal arcebispo emérito de São Salvador da Bahia, iniciou no dia 16 de julho o retiro espiritual para o clero da diocese, o qual se estendeu até o dia 19. Realizada anualmente, a atividade ocorreu no Seminário Santo Antônio do Alto da Serra, casa de retiros em São Pedro (SP), da Ordem dos Capuchinhos, na Diocese de Piracicaba (SP).

O clima era de muito frio, acentuado pelas condições geográficas do local. No ponto mais elevado das serras de São Pedro, com variada vegetação, belos jardins e arquitetura preparada à acolhida de visitantes e hóspedes para retiros e encontros, o seminário dos frades capuchinhos abrigou os padres da diocese para dias de reflexão, oração e encontro.

O pregador meditou inicialmente sobre a alegria de ser padre, quando interrogava: “Qual o grau de minha alegria e de minha paz? Qual meu verdadeiro amor? O que me alegra em meu trabalho pastoral?” Disse que a finalidade de um retiro é o reencontro com Deus, com a própria pessoa, com a vocação, sobretudo volta às fontes, reencontro dos motivos para se alegrar e ser feliz. Para o cardeal, “tendência hoje é não refletir, terceirizar a reflexão, o mundo de hoje quer ler coisas práticas”. Por isso, enfatizou ainda, que urge hoje perguntar quem é Deus para então ouvi-lo, como Moisés que assim descobre na sarça ardente – “Eu sou Aquele que é” (Ex 3, 13).

Dom Geraldo Majella destacou em suas reflexões o sentido do sacerdócio com ênfase em textos bíblicos, em cartas papais e nos documentos do Concílio Vaticano II. Referindo-se à frase de Bento XVI, “Deus é a única riqueza que as pessoas querem encontrar no sacerdote”, proferiu em vários momentos sobre o significado, sentido e peso da fé na vida dos presbíteros. Apresentou-lhes alguns pontos que emergem do ministério presbiteral.

– Ser ministro da reconcliação: ato conferido pelo Cristo em sua ressurreição, o sacerdote reconcilia os outros na alegria;

– Homem para Deus: é Deus quem escolhe. Toda escolha que Deus faz é para o Povo e para o Escolhido. O escolhido só erra se deixa de ser digno da escolha.

– Homem de oração para o Povo: o sacerdote reza para o Povo e com o Povo. O Povo procura Moisés para ouvir a voz de Deus. O Povo reconhece o padre que reza. Na oração vê-se o que Deus é e o que o Povo carece. A oração revela como Deus vê as coisas e as pessoas. O padre sem oração falta em discernimento.

Sacerdote do Tabor e do Jardim das Oliveiras: dois momentos de intensa vibração. No Tabor, sentir o entusiasmo, a vontade do Pai. No Jardim, a dor, o sofrimento, o sentido da vida.

Sacerdócio e Eucaristia: ambos se acompanham. Celebrar é também elevar o Povo. Levar a sério a liturgia significa levar à plenitude a função ministerial. O ministério sacerdotal consiste em permanecer no Cristo.

Respirar com os pulmões da Igreja: se o padre não amar mais o Cristo do que “aqueles”, não poderá servir a Igreja. É homem que vive do altar. Foi feito para ser profeta, para falar em nome de Deus, para mostrar o caminho do céu. Foi feito para o Reino de Deus. Participa da pessoa do Cristo, de sua regência ao Povo. Age na pessoa Dele. Reúne a família de Deus na fraternidade. Ouve o próprio Cristo. “Todos os presbíteros estão unidos entre si por íntima fraternidade” (Documento Conciliar Lumen Gentium).

Além das pregações, momentos de celebração eucarística, rito penitencial e vigília ao Santíssimo Sacramento fizeram parte do retiro, o qual reanimou o clero para a missão apostólica diocesana e paroquial.

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