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Estudo dos Evangelhos › 08/06/2016

Evangelho de Lucas (1) – Quem é esse Lucas?

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Janela

Desde os primeiros séculos do cristianismo o terceiro Evangelho na ordem tradicional da Bíblia é atribuído a Lucas, discípulo de Paulo. O próprio Apóstolo, no final de sua carta a Filêmon (v. 23), cita Lucas entre seus colaboradores. A Epístola aos Colossenses, atribuída a Paulo, manda lembranças de “Lucas, querido médico” (4,14). A partir dessas informações (médico e discípulo de Paulo) vem tudo o mais que costumamos ler e ouvir da literatura religiosa a respeito do autor do terceiro Evangelho.

As Comunidades Apostólicas

O que menos importa é que seja mesmo esse Lucas o autor do Evangelho. Os que o atribuíram a ele, queriam que o Evangelho tivesse como autor o nome de algum Apóstolo ou alguém ligado a eles. Para a comunidade que nos deu o Evangelho não tinha a menor importância o nome de quem escreveu, importava que o Evangelho confirmasse a sua fé, iluminasse a sua vida. Mais importante é o destinatário, Teófilo, que quer dizer “amigo de Deus”.

Os “amigos de Deus” cuja fé o Evangelho vem confirmar e cuja vida vem clarear, eram, disso não há dúvidas, de comunidades fundadas por Paulo. Vamos pensar nas de Corinto. Gentios, não judeus, eram considerados pecadores. A maioria da comunidade era de gente pobre, sem estudo e sem nome (1Cor 1,26). Dava-se grande importância à oração e ao Espírito Santo (1Cor caps. 12 a 14). Paulo enfrentou com muita garra os que queriam permanecer fiéis demais ao judaísmo. Parecia que ensinava a deixar de lado toda a herança de fé recebida dos judeus (At. 21,21).

O Evangelho tinha que fortalecer a fé e esclarecer esses problemas da comunidade. O nome de quem o escreveu era de menos.

As comunidades de hoje

Hoje a preocupação é com o autor, seu nome e seus títulos. Hoje a aparência está acima do ser e até mesmo do ter. Direitos autorais e o que isso significa em termos econômicos é também questão fundamental. Parece mais importante saber quem está falando do que entender o que ele está dizendo.

Precisamos descobrir que o que interessa é se o que está sendo dito fortalece a fé e traz alguma luz para as situações e problemas vividos. O que deve nos interessar na leitura do Evangelho é de que maneira ele nos pode fortalecer a fé e ajudar a enfrentar com mais clareza e disposição os desafios do nosso dia a dia.

Por padre José Luiz Gonzaga do Prado