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Notícias › 17/03/2021

FÉ, CIÊNCIA E PANDEMIA

Toninho Fernandes é professor e leigo

 

A discussão sobre fé e ciência não é nova.  Diversos autores e pensadores (teólogos, filósofos, psicólogos e até mesmo cientistas) nos ensinaram-nos conceitualmente o que é fé e o que é ciência.

A fé na sua essência é a crença que o homem tem em algo superior, que extrapola sua inteligência, que é capaz de resolver seus diversos problemas.  A ciência, a meu ver, nem tem uma definição acadêmica específica. Como defini-la?  Não me importa o conceito dela, mas seu objetivo que é dar uma solução prática de algo ou de um fenômeno que interfere na vida humana.  Na doença, a ciência apresenta-nos soluções baseadas em pesquisas. Em contraponto, a doença diante da fé nos demonstra-nos respostas fundamentadas na crença de que há um “Ser” superior que nos cura, desde que creiamos intensamente. Não pretendo tratar aqui os aspectos científicos.

A fé é uma “coisa”, a ciência é outra; embora entenda que devam caminhar juntas.  A discussão é ampla e muitas vezes sem um consenso.  O olhar científico é diferente do olhar da fé.  A dimensão da fé é abrangente. O homem tem fé em Deus ou em deuses que ele cria, tem fé que a chuva cai, porque ele precisa dela, tem fé que será curado, tem fé que irá ganhar na loteria, por isto ele faz uma “fezinha” e assim por diante. Crê na ciência que dará a cura que ele necessita, crê que a chuva cai porque a ciência explica o porquê.  Porém não crê que a ciência lhe fará milionário isto é próprio da fé.

Portanto, não há como estender a discussão num assunto tão vasto e complicado. Sabemos que precisamos da fé e da ciência. Quando me pediram para escrever sobre este tema, achei desafiador, pois tudo que refletia, alguém já havia discorrido. Queria ser mais prático.  Comecei a observar…  Logo de começo, ao me deparar com uma igreja, atentei que o seu telhado ostentava uma cruz e junto dela um para-raio, logo compreendi que ali estava a junção das duas: fé e ciência. Não teve melhor explicação. Depois vi minha bondosa vizinha que assistia a um programa pela televisão e aguardava ansiosa a bênção da água pelo padre. Ali presente estava a fé que por meio da água ocorre a cura e sana os problemas. A mesma água usada pela fé é também abordada pela ciência, sendo uma substância química, objeto de pesquisa.  E assim as ideias vão se clareando.

A fé não substitui a ciência e tão pouco a ciência substitui a fé. Ambas existem. Uma no campo sobrenatural, invisível, incompreensível. E crer no que não vê é a máxima do Evangelho, para nós cristãos. A outra no âmbito natural visível e compreensível é a máxima da pesquisa científica.  Sem muitas delongas, a fé e a ciência caminham assim, complementares.

Pois bem, para melhor entender as dimensões de ambas, voltemos nossos olhares e compreensão para o momento presente. Estamos envolvidos numa pandemia do novo coronavírus. Sujeitos a uma doença infecciosa e contagiosa que está se espalhando pelo mundo numa rapidez inexplicável, levando-nos ao susto, à dor e ao medo. Então, diante do nosso modo de viver, vamos buscando respostas e conforto para isso. Muitos vão pelo caminho da fé e procuram o sagrado para não se contagiar e não morrer. Mesmo assim, a morte induz-nos ao medo, até mesmo, para as pessoas que creem, que tem fé em Deus que vai lhe mostrar a cura, mas não tem fé de ser recebido por Ele na eternidade que diz crer. Aí não tem ciência, “é pegar ou lagar”.

Para se associar à fé, a ciência vem demonstrando em seus estudos e resultados como a vacina que é capaz de curar. Muitos não acreditam, são os “negacionistas”, termo que está em moda, não têm fé na vacina (agora a fé é na vacina). Mesmo assim, muitos querem vacinar, uns confiam na vacina, outros em Deus, esperando que ela seja a solução. Sendo assim, concluímos que fé e ciência andam juntas, se completam. Então, para os que não creem em Deus, apostam na vacina.

Para os que confiam apostam na intercessão divina, em Deus que tudo pode.   O SENHOR vai colocando homens, aqui no caso cientistas e pesquisadores capacitados que possuem o conhecimento necessário para dar soluções práticas e concretas. A fé cura, a fé acalenta. E a ciência responde no mesmo sentido. Pois bem, procurei escrever o que penso, nada acadêmico, sobre o tripé:  fé, ciência e pandemia. Logo a fé nos será correspondida e a ciência explicada.

Não podemos deixar que nossa relação com Deus e com a ciência seja abalada a tal ponto de perdermos a fé e a esperança nas pesquisas. Vale dizer sem medo de errar teologicamente, é um leigo que escreve: “precisamos ter fé em Deus e crer na ciência”. A fé manifestada pela oração aniquila o medo e a dor. A esperança na ciência neutraliza a incredulidade e sobrepõe a fiel necessidade de crer no que o homem é capaz.  A fé, força interior que temos, leva-nos a crer em Deus, porque para Ele nada é impossível.