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   ESPIRITUALIDADE, O QUE É?

                                        ESPIRITUALIDADE, O QUE É?

 

Roberto Camilo Orfão Morais

 

 

Refletir sobre o sentido da Espiritualidade é algo urgente em um mundo que, segundo o Filósofo Sul Coreano Byung-Chul Han, é dissolvido em informação com o desaparecimento dos rituais considerados arquiteturas temporais; os quais, nos proporcionam estabilidade à vida.

 

O desafio é pensar a Espiritualidade sem cair no esoterismo, no fundamentalismo, que nega a realidade e, afasta-nos do mundo. Assíduo leitor que sou dos livros do Monge Trapista Americano, Thomas Merton, aprendi que, “espiritualidade” inicialmente, é uma vida: “Para sermos espirituais, temos de permanecer homens.”

 

Mas afinal, como podemos entender Espiritualidade?”. O Teólogo Brasileiro Leonardo Boff faz um relato sobre quando perguntaram ao Dalai-Lama, Líder Espiritual do Budismo Tibetano, “o que é Espiritualidade?”, de forma simples e clara, explicou: “Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior.” E, perguntaram novamente: “Mas se eu praticar a religião e observar as tradições, isso é espiritualidade?” Responde: “Pode ser espiritualidade, mas, se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade”. Para o Dalai Lama “Espiritualidade” está relacionada em qualidades como amor, compaixão, paciência e tolerância.

 

Cientistas das Neurociências classificam “Espiritualidade” como “QEs” = “Quociente Espiritual, inteligência espiritual”; o qual nos possibilita perceber os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas e, faz-nos sentir inseridos no Todo, proporcionando-nos a capacidade de transcender.

 

O Filósofo e Escritor Brasileiro Mário Sérgio Cortella destaca que, a “Espiritualidade” é: “a resposta a um desejo forte de a vida ter sentido, de ela não se esgotar nem naquele momento, nem naquele trabalho.” Portanto, a “Espiritualidade” é, uma das fontes de inspiração do novo, em busca de um sentido para a vida.

 

O Monge Alemão Anselm Grün, baseado nos “Padres do Deserto”, distingue duas correntes quanto à “Espiritualidade”: A “Espiritualidade” a partir de cima e, a “Espiritualidade” a partir de baixo. A “Espiritualidade de cima”, apresenta os ideais que devemos cumprir, as doutrinas, os princípios que nos fazem sair de nós mesmos e, descobrir possibilidades. Para nosso crescimento se fazem necessários modelos. Mas, para o Místico Alemão, ela tem um perigo: o de achar que podemos chegar à Verdade Absoluta – Deus – pelas nossas próprias forças.

 

Já a “Espiritualidade de baixo” é, a partir do diálogo com a nossa realidade humana, “conhece a ti mesmo”, encarar “o humano demasiado humano”. A partir de si mesmo, de nossa realidade de corpo e alma, a partir dos sentimentos do cotidiano. É descer até as nossas fraquezas, dores e fracassos e, não os negar; mas, dialogar e perceber o que podemos aprender com eles.

 

Descer às escadas, pegar impulso no chão da vida e, subir ao transcendente, confiando na Misericórdia e na Graça. Como afirmou o Monge Thomas Merton: “(…) a sabedoria é o próprio Deus vivendo em nós, revelando-se a nós. A vida se revela a nós somente na medida em que vivemos”.

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