Notícias › 19/02/2021

UMA IGREJA EM CAMPANHA

Por Renan Beraldo, seminarista e estudante de Teologia.

 

Vivenciada durante a Quaresma, mas com ressonância ao longo de todo o ano, a Campanha da Fraternidade de 2021 é ecumênica, isto é, em conjunto com outras denominações cristãs. Com o objetivo geral de “através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo, convidar comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual”. Então, o CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil – define como tema da CF 2021 “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”. E o lema vem da Carta aos Efésios (2, 14): “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”.

Esta é a quinta ocorrência ecumênica da Campanha da Fraternidade, sendo, por esse motivo, encabeçada por uma comissão composta pelos membros efetivos do CONIC, a saber: Aliança de Batistas do Brasil; Igreja Católica Apostólica Romana; Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Igreja Presbiteriana Unida; Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, mas também pela Igreja Betesda de São Paulo, como igreja observadora, e pelo Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e à Educação Popular (Ceseep), como membro fraterno.

Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 faz-se culminância de muitas partilhas e escutas realizadas, mas também o ponto de partida de novas e maiores iniciativas concretas em vista da superação das diferenças que concorrem para o afastamento das diversas denominações cristãs. É preciso promover e valorizar as conexões que as unem.

No influxo desse desejo por fraternidade e unidade, o diálogo é preconizado como estilo de vida: tornar-se convicto da própria identidade, mas buscar compreender o outro; abrir-se para o outro entendendo que a escuta é uma forma de cuidado; crescer no diálogo para promover a paz, a boa vontade e a superação das barreiras, polarizações e divisões.

Numa dimensão ética, relacional, o diálogo é a forma de se conhecer as motivações, as intenções profundas, o sentido dos gestos e ações e o interior do mundo cultural e existencial de uma pessoa ou de uma sociedade. Isso exige alteridade e empatia, saber dar as razões de sua posição, mas também ser justo, bom e generoso para com a posição alheia. Ganham destaque a pluralidade e o intercâmbio de experiências, de que decorrem duas possibilidades: uma bastante fecunda, em que as pessoas se sentem enriquecidas, em dinâmicas que comportam mutualidades, encontros e partilhas, isto é, que as pessoas conheçam e se deem a conhecer, acolham e sejam acolhidas. E uma menos ou nada fecunda, em que as pessoas, desafortunadamente, se sentem ameaçadas e se conservam na retaguarda, querendo vedar fronteiras e se blindar.

Urge fazer da vida um espaço de convivência, de concórdia e de (re)conciliação, uma extensão do Evangelho. Jesus, Deus humanado, o Sagrado no meio dos homens e do mundo, derruba os muros de separação e inimizade (aludindo à barreira que apartava os gentios e os judeus no Templo de Jerusalém), quer entre Deus e os homens, quer entre os homens mesmos. Eis que em sua trajetória histórica, Jesus estabelece várias formas de diálogo e encontro, propugnando a cultura da paz, em que não há espaço para rivalidades e hostilidades, mas somente para uma serena caminhada ao rumo à comunhão com irmãos e com o Senhor.

Por iniciativa de Deus, os povos todos Lhe são aproximados pelo sangue de Jesus, e esse novo povo, plural, mas coeso, tem em Cristo sua pedra angular, seu ponto de convergência, seu modelo, seu pressuposto, seu ápice.

Por isso se diz: Ele é a nossa paz.

 

Cartaz 2021