Palácio Episcopal de Guaxupé celebra 100 anos de história

Inaugurado em 12 de setembro de 1926, edifício centenário preserva parte importante da memória da Diocese e da cidade de Guaxupé

Em setembro de 2026, o Palácio Episcopal de Guaxupé completa 100 anos de sua inauguração. Mais do que residência episcopal, o edifício tornou-se, ao longo de um século, testemunha de importantes acontecimentos da história da Diocese de Guaxupé e parte significativa do patrimônio histórico da cidade.

A história de sua construção começou antes mesmo da inauguração. A iniciativa para a construção do Paço Episcopal foi promovida em 1923, durante o episcopado de Dom Ranulpho da Silva Farias. Em 2 de março de 1924, o bispo realizou a bênção da primeira pedra, dando início a um projeto que contou com a participação e colaboração da comunidade.

O início da construção

Em 12 de abril de 1924, o jornal Gazeta Commercial publicou o edital de concorrência pública para a contratação da mão de obra responsável pela construção. As propostas foram entregues na agência do Banco de Guaxupé e abertas no dia 28 daquele mês.

O documento detalhava diferentes serviços necessários para a obra, entre eles alvenaria, reboco, ladrilhamento, assentamento de azulejos, cobertura com telhas francesas, pintura e construção dos andaimes. As plantas estavam sob responsabilidade de Ramon Castro Garcia, que posteriormente ficou encarregado da supervisão das obras.

Os trabalhos avançaram rapidamente. No final de 1924, os muros já haviam alcançado a altura máxima do edifício, com janelas e portais assentados, e a construção estava próxima de receber a cobertura.

O desenvolvimento da obra também foi resultado do trabalho da comissão responsável e da colaboração de pessoas que contribuíram para que a construção pudesse continuar.

12 de setembro de 1926: a inauguração

Depois de aproximadamente dois anos de construção, o Palácio Episcopal foi solenemente inaugurado em 12 de setembro de 1926.

As celebrações começaram às 7h30, quando Dom Ranulpho celebrou uma missa em ação de graças, seguida de comunhão geral. Às 10h, Monsenhor José Faria de Castro presidiu outra celebração.

Ao meio-dia aconteceu a solenidade oficial de inauguração do Paço Episcopal, marcada por discursos. Dom Ranulpho ofereceu ainda um banquete para convidados e autoridades. À noite, uma manifestação popular em ação de graças encerrou as comemorações daquele dia histórico.

Para registrar aquele momento, uma placa foi instalada no hall de entrada do Palácio. Nela ficaram gravados a iniciativa da construção em 1923, a bênção da primeira pedra em 1924 e a inauguração em 1926, além dos nomes dos integrantes da comissão responsável pela construção.

Um patrimônio que permaneceu

Ao longo de sua história, o Palácio Episcopal também passou por momentos de incerteza. Durante o episcopado de Dom José de Almeida Batista Pereira, o imóvel chegou a ser colocado à venda.

Segundo o registro histórico, as negociações estavam em estágio avançado quando o então bispo conversou com o ex-prefeito de Guaxupé, Dr. Benedicto Felipe da Silva. O ex-prefeito argumentou que o Palácio havia sido construído com a colaboração popular e que sua venda enfrentaria forte resistência da população. Após a conversa, Dom José desistiu da negociação.

O episódio demonstra a relação histórica existente entre o edifício, a Diocese e a própria comunidade que participou de sua construção.

Restauração preservou características históricas

Décadas depois, preservar essa história exigiu uma ampla intervenção. Em 2010, por iniciativa do então bispo diocesano Dom José Lanza Neto, teve início o processo de reforma e restauração do Palácio Episcopal.

O projeto foi elaborado pelos arquitetos Moacir Cyrino e Antônio Fernando dos Anjos. A reforma contemplou o telhado, instalações hidráulicas e elétricas, banheiros, portas, janelas, esquadrias, assoalho e corrimãos, entre outros elementos.

Durante os trabalhos, também foram encontradas pinturas artísticas que estavam escondidas sob camadas de tinta em diferentes cômodos. As camadas foram cuidadosamente retiradas, permitindo que os trabalhos artísticos fossem novamente revelados.

A restauração procurou conservar diferentes características originais do imóvel. Portas foram envernizadas, janelas receberam pintura conforme o projeto original, o assoalho foi restaurado e o rodapé original foi mantido.

Memória preservada também nos documentos

A importância histórica do Palácio Episcopal não está somente em sua arquitetura. Sua biblioteca preserva um importante acervo documental da Diocese de Guaxupé.

Entre os materiais conservados estão documentos históricos, livros de provisões e livros de tombo da Diocese. Parte do acervo documental, anteriormente armazenado em 160 caixas de papelão, foi transferida para caixas plásticas para sua conservação.

Para marcar a conclusão da restauração, em 27 de dezembro de 2012, Dom José Lanza Neto celebrou uma missa em ação de graças na Catedral. Depois da celebração, os participantes foram convidados a visitar o Palácio, conhecer suas dependências, os móveis antigos restaurados, os novos mobiliários e a biblioteca.

Um século de história

De 1926 a 2026, diferentes gerações passaram pelo Palácio Episcopal. A cidade cresceu, a Diocese viveu diferentes momentos de sua caminhada e novos capítulos foram acrescentados à história da Igreja Particular de Guaxupé.

Cem anos depois de sua inauguração, o edifício permanece como testemunho de uma história construída também pela participação da comunidade. Sua arquitetura, seus ambientes, seu acervo e os acontecimentos que ali se desenvolveram ajudam a preservar a memória da Diocese de Guaxupé.

Celebrar o centenário do Palácio Episcopal é, portanto, recordar aqueles que contribuíram para sua construção e preservação e reconhecer um patrimônio que continua fazendo parte da história da Igreja e da cidade de Guaxupé.

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