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PASCOM: “Vocês são tecedores da vida ou da morte da Igreja”

O que a Pastoral da Comunicação tem a ver com a Sinodalidade? É uma pergunta justa de ser feita, afinal a PASCOM em muitas comunidades, serve apenas para publicar fotos e transmitir missas e promoções. Mas a Igreja que Deus espera do terceiro milênio segundo o Papa Francisco é uma Igreja sinodal, ou seja, um estilo de Igreja que vive em comunhão, participação e missão.

 

As ações de comunicação devem propagar a sinodalidade como forma de ser Igreja, divulgando e promovendo a união, a participação ativa e fecunda dos batizados no mundo sempre na perspectiva de que a missão é a identidade da Igreja.

7º Encontro Nacional da Pascom

Entre os dias 22 e 24 de julho, aconteceu no Mosteiro de Itaici (SP) a sétima edição do encontro nacional de membros da PASCOM. Representantes de todas as regiões do Brasil se reuniram para refletir os caminhos da comunicação a partir das provocações do Papa Francisco a respeito da sinodalidade. O encontro contou com a presença constante do bispo auxiliar de Belo Horizonte, Dom Joaquim Mol, Reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB. Em uma de suas falas afirmou que “a crise é passagem e não um beco sem saída”. A Comunicação católica deve dar, assim, visibilidade para uma Igreja da esperança.

Sinodalidade: Comunhão, participação e missão

Sinodalidade, em sua etimologia, sýn = juntos e hódos = caminho, significa uma forma de viver a Igreja a partir da comunhão entre todos os Batizados, numa participação ativa, consciente e sempre em movimento, saindo de si mesma em direção aos demais irmãos. Porém, não é um caminho simples de ser feito. Trata-se de um processo de aprendizagem de escuta, de abertura, de iluminar os problemas e questões pastorais à luz da Palavra de Deus, visando realizar o mandato missionário de Jesus. A Pastoral da Comunicação, nesta tarefa, tem o dever de provocar e promover uma inter-relação digital acolhedora e reveladora, mostrando os caminhos de unidade e hospitalidade.

Comunicar a vida social e a pastoral na igreja

Muitas Pastorais responsáveis pela comunicação preocupam-se em mostrar o culto e a figura do ministro ordenado e acabam se esquecendo da vida pastoral, social e caritativa da Igreja. Comunicar é dar espaço e visibilidade às boas obras feitas pelas comunidades cristãs, não para exibir a caridade, mas para dar enfoque à prática cristã do amor e do compromisso da Igreja, composta por cada Batizado

Espiritualidade na comunicação

Ser PASCOM não é apenas um serviço prestado às telas, mas um apostolado cristão. Desse modo, não é possível comunicar sem espiritualidade. A oração é fonte de vivência da fé.

 

O tema foi abordado pela Irmã Maria Nilza, que destacou a necessidade do membro do PASCOM viver a espiritualidade como experiência pessoal e comunitária. Tornando-se anunciadores como Maria Madalena que, ao ver Jesus Ressuscitado, correu ao encontro dos Apóstolos para comunicar a Ressureição do Senhor.    

Política na ação evangelizadora e na comunicação

Em meio à polarização atual no Brasil, surge uma instigante pergunta: como comunicar em nome da Igreja em meio ao ambiente político atual? Papa Francisco apresenta uma luz na encíclica Fratelli Tutti, de acordo com uma das assessoras Tânia Maria Silveira é preciso “ter em mente a atitude do Bom Samaritano: ver e ter compaixão”. Assim, o nosso fazer pastoral deve levar sempre em conta a fraternidade.

 

Partir do princípio da fraternidade é levar em conta a dignidade da pessoa humana, uma obrigação civil e não apenas cristã. Além disso, é mais do que necessário considerar o princípio do coletivo, isto é, da comunidade. A política é a gestão daquilo que é comum, do que gera pontes e não muros.

Uma das grandes crises políticas é a violência na época eleitoral que neste primeiro semestre aumentou 23% em relação à 2020. E a associação entre religião e política é uma das maiores preocupações para toda Igreja.

O que fazer na comunicação diante deste cenário?

1º) Lutar contra a violência;
2º) Orientar diante da crise sanitária e seus impactos, como a fome;
3º) Preocupar-se com os retrocessos democráticos;
4º) Pensar na casa comum e no cuidado com a natureza;
5º) Dar visibilidade, capacitação e instrução aos membros da PASCOM.

Dando continuidade à fala de Tânia Maria, um outro convidado a partilhar Vinícius Borges Gomes, afirmou: “nossa realidade política e eleição não é escolher A ou B, mas lutar pela sobrevivência. Nos índices de fome regredimos em 30 anos. Estamos indo contra a constituição que exige que se garanta o básico para as pessoas”.

Essa realidade aponta para todos que a crise atual é humanitária. A Igreja ao lidar com esse momento através da comunicação, precisa olhar para além, para o horizonte cristão que é o Reino de Deus. Não basta ser uma pastoral que faz marketing igrejeiro. É preciso ser uma pastoral que assume sua função profética.

 

Há uma realidade que grita aos olhos da Igreja e exige uma postura profética a favor da justiça que comunique a paz e a união. 

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