O SENTIDO CRISTÃO DA MORTE

O SENTIDO CRISTÃO DA MORTE

 

Pe. Marcos Alexandre Justi, O.Cist.

 

A morte do homem é considerada antinatural. Na filosofia, salienta-se que a alma é racional, de acordo com a sua incorruptibilidade, está adaptada ao seu fim específico, que é a bem-aventurança perpétua.

 

Na economia da salvação das almas e de sua recondução a Deus, insere-se a Encarnação do Verbo, pois é na pessoa do Cristo (que, por união hipostática, reúne em si as duas naturezas: humana e divina, deificando a carne pela união com o Verbo) que ao homem é dada a oportunidade de recuperar a possibilidade de unir-se ao Criador (São Tomás de Aquino).

 

No sentido cristão, a morte sempre implica uma exclamação, uma surpresa; mas não há outra resposta: morrer significa caminhar ao encontro da eternidade. Pois, para quem pratica a religião, a vida não é tirada, mas transformada. Os fiéis, por sua vez, anseiam pela eternidade; e, nessa dimensão, a impressão que fica é a última!

 

Por natureza, a morte em si não é bonita, mas possui uma beleza ímpar, uma vez que, após a morte, o homem não é mais submetido ao tempo e ao espaço.

 

Assim, fica claro que não acreditamos em reencarnação: cremos, pois, que a alma criada por Deus sobrevive após a separação do corpo e tende a se encontrar com seu criador e a receber a recompensa por sua vida, ou a condenação por seus crimes.

 

Desse modo, a vida é única, vivida nesta terra uma só vez. Ninguém vive para o outro nem morre para o outro, somos matéria e espírito; assim, temos algo de divino em nós.

 

Dentro desse mistério, segundo a tradição cristã, temos três destinos para a alma do indivíduo, quais sejam: o céu, o inferno e o purgatório, os quais não são lugares geográficos, mas estados.

 

O céu constitui o mistério da participação plena de Deus.

 

O purgatório, por sua vez, é para as almas que estão destinadas ao céu, mas precisam, antes, viver o estado de purificação. A Igreja chama purgatório a esta purificação final dos eleitos que é absolutamente distinta do castigo dos condenados.

 

Já o inferno é o distanciamento do mistério, o destino daqueles que não aceitaram a salvação concedida por Deus. Desse modo, não há mais participação no amor de Deus, mas o castigo; ou seja: o lugar de quem, em sua vida terrena, desejou o mal, fez o mal e rejeitou o Sumo Bem, que é Deus e a sua salvação.

 

É válido lembrar que Deus não condena ninguém ao inferno, que é a autoexclusão da graça, isto é, uma decisão da pessoa que, no uso do seu livre-arbítrio, rompeu com Deus.

 

Estamos cada vez mais nos aproximando do fenômeno da morte, pois toda a nossa vida de fé se encaminha para o momento da partida para a casa permanente do Pai. Temos que tomar consciência de que a vida do homem, por ser criação, tem um começo e um fim.

 

A vida é um dom de Deus, porém estamos de passagem neste mundo e, a qualquer momento, podemos perder alguém querido, alguém que amamos. Por isso, devemos trocar o medo pelo respeito, uma vez que o medo nos leva ao afastamento, e o respeito à admiração.

 

Assim, quem ainda não perdeu um ente, é bom que se prepare. O Senhor está atento às nossas necessidades, quer nos ouvir.

 

Ao olharmos para a morte devemos valorizar a vida, retomarmos os laços e motivarmos todo sentido final.

 

No sentido cristão, celebrar a vida é aproximar-se da realidade mais profunda da mistagogia na Ressurreição em e pelo Cristo, bem como acreditar na Parusia, estando em plena funcionalidade da misericórdia do Pai, que é Amor!

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