“Irmãos, queridas irmãs, referendíssimo Padre Alexandre, com essa celebração de hoje, nós estamos entrando no mistério central da nossa fé, a Páscoa da Ressurreição do Senhor.
E hoje, Domingo de Ramos, já é um dia muito expressivo para todos nós, porque somos convidados a estar com Jesus, a caminhar com Jesus. Ele que nesses dias passou entre nós, nos hesitando, nos provocando no sentido de nos convertermos ao nosso Deus, que é o Deus da vida, o Deus de Jesus Cristo.
Quantas coisas boas aprendemos nesses dias e nos propomos também a caminhar mais de perto, numa escuta mais atenta à sua palavra e nos deixando moldar por Ele. Nós já fazemos a nossa experiência de fé, às vezes momentos mais fortes, mais significativos, outras vezes menos fortes, e quando não, parece que o caminho fica muito difícil de ser percorrido.
Mas mais uma vez Jesus está reafirmando a sua presença entre nós, na sua paixão, que significa a sua entrega obediente ao Pai. Ele que gozava de uma situação tranquila, porque também a condição dele era de ser Deus, mas Ele se faz um de nós, se rebaixa, colocando-se numa situação de servo, como aquele que vem da parte do Pai para servir, para visitar os corações humanos, os corações angustiados, os corações sofridos.
Ainda ontem rezávamos aqui na catedral, na missa dos enfermos, pelos doentes, aqueles que estão feridos pela vida, pelo pecado. Aqueles que também trazem a marca da vida, a idade avançada, quando a pessoa se dá conta dos limites que a própria vida impõe. Mas o convite que fizemos era para que no Senhor, especialmente na Palavra, na Eucaristia e no sacramento da Unção dos Enfermos, cada irmão e cada irmã pudesse sentir mais forte, unindo o seu sofrimento ao sofrimento do Senhor.
Eu quero crer que, apesar da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, talvez, num primeiro momento, uma entrada gloriosa, para afirmar que Jesus é Rei — e de fato é o nosso Rei — já demonstrava também um outro sinal. Um rei não com vestes carregadas de poder, de decretos, de armas, de soldados, talvez montado num grande cavalo.
Aqui Jesus já vai nos dando uma grande lição de humildade, de serviço, de nos colocarmos no nosso lugar. Montado num jumentinho, um animal simples, Ele nos ensina que a fé faz toda a diferença: acreditar n’Ele.
Na leitura da paixão, vimos como muitos ainda tinham dificuldade de entender Jesus, de acreditar n’Ele, de se lançar em seus braços e dizer: “eis-me aqui”. A imagem que fica, num primeiro momento, é de um Jesus glorioso, mas que viria marcado pela sua paixão, pela sua dor, pelo seu sofrimento e pela sua morte.
O profeta Isaías já nos indicava o servo sofredor, rejeitado, que sofreu todo tipo de agressão, mas permaneceu firme e fiel ao Senhor. E São Paulo, na carta aos Filipenses, recorda que Jesus, sendo Deus, esvaziou-se de si mesmo para se fazer um de nós, obediente ao Pai.
Diante disso, também somos interpelados em nossa fé. Muitas vezes, por nossos pecados, pela indiferença, pelas dúvidas, também nós acabamos ferindo o Senhor. Por isso, a Semana Santa é um tempo em que reconhecemos que Jesus continua a nos amar e a nos servir, mesmo na sua paixão, que é sinal do seu amor e da sua entrega.
Que tenhamos essa compreensão e a graça de, nos momentos mais difíceis da nossa vida, encontrarmos no Senhor conforto, segurança, Aquele que caminha conosco, que nos consola e nos convida: “confie em mim”.
Que no nosso coração brotem a esperança, a alegria e a coragem para enfrentar os desafios de cada dia. E que esta semana seja, de fato, uma semana muito especial: de conversão, de busca sincera do Senhor, de mudança de vida e de um grande desejo de servi-Lo.
Que saibamos reconhecê-Lo também nos irmãos e irmãs doentes, nos mais necessitados, especialmente naqueles que vivem nas ruas, muitas vezes ignorados por nós. Que não desviemos o olhar, mas sejamos capazes de enxergar, acolher e amar.
Que esta Semana Santa seja abençoada e verdadeiramente transformadora para todos nós.”









