2023: Caminhar juntos, escutar e esperançar a vida de comunidade

Por Rosinei Papi

 

Deus nos livre de uma vida medíocre, vazia e superficial, escreve Papa Francisco, ao nos convidar para a santidade no mundo atual, “quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa” (GE, 1).

 

O papa convoca os discípulos-missionários para abraçar a alegria do Evangelho: o compromisso na defesa da vida, da Casa Comum, do outro e no diálogo com o diferente que caminha conosco. Ele nos convoca ao caminho da sinodalidade, da escuta atenta e amorosa com todas as pessoas, da esperança e da vida em comunidade.

 

Francisco acentua na Fratelli Tutti que somos todos irmãos e a fraternidade é o caminho da esperança. Portanto, nossa missão de evangelizar, ou seja, de tornar o Reino de Deus presente no mundo, com a alegria de sermos seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré, pede de nós um caminho sinodal, mais espaços em nossas comunidades de escuta e de diálogo para esperançar a beleza desafiante da vida em comunidade como resposta ao mundo atual.

 

1. O caminho sinodal: somos chamados a caminhar juntos na comunhão, na participação e na missão. “Se queres andar rápido, caminha sozinho. Se queres ir longe, caminha com os outros” (Cristo Vive, 167). O caminho sinodal não é novidadeiro, mas, ao contrário, é a própria natureza da Igreja. Os cristãos e cristãs que nos precederam caminhavam juntos, tinham tudo em comum, vendiam suas propriedades e seus bens e dividiam entre todos, segundo as necessidades de cada um (Atos 2,44).

 

Papa Francisco convocou todo o povo de Deus para o Sínodo 2021-2024, um grande processo de escuta de todas as vozes internas da Igreja, as vozes externas e as vozes silenciadas para repensar o nosso caminho sinodal hoje. Como a Igreja caminha e como precisa caminhar em sintonia com o Evangelho e os sinais dos tempos? 

 

A mensagem do Sínodo é bem simples: “estamos a aprender a caminhar juntos e a sentar-nos para partir um único pão, de modo que cada um possa encontrar o seu lugar. Todos são chamados a tomar parte desta viagem, ninguém é excluído”. O documento ainda registra que a “comunhão deve conduzir a um estado permanente de missão: encontrar-nos, escutar, dialogar, refletir e discernir em conjunto” a missão que nos é confiada pela Igreja (Documento de Trabalho para a Etapa Continental do Sínodo – DEC, 99-103).

 

 

2.A escuta, o diálogo e a esperança: somos chamados a esperançar, a alargar o coração e a mentalidade para acolher, discernir e integrar as realidades presentes no mundo plural que habitamos.

 

O profeta Isaías diz: “Alarga o espaço de tua tenda, estende sem medo as lonas que te abrigam, e estica as tuas cordas, fixa bem as estacas” (54,2). Entre nós há necessidade de alargar os corações e as mentes, e criar espaços em nossas comunidades para escutar atenta e amorosamente as pessoas que estão dentro e fora de nossas tendas. As vozes das comunidades precisam ser ouvidas e valorizadas.

 

Papa Francisco, em Bahrein, país no Médio Oriente, num encontro em novembro de 2022 entre lideranças religiosas, disse que o “diálogo é o oxigênio da paz.” É sinal de esperança, e o Reino de Deus acontece quando sabemos escutar e acolher o outro, buscar pontos de comunhão e objetivos comuns e favorecer, em nossas comunidades, espaços e oportunidades para construir um mundo mais humano e mais fraterno.

 

3.A vida de comunidade: somos chamados a reavivar o dom da convivialidade fraterna. No plano diocesano da ação evangelizadora a vida de comunidade é uma das prioridades. Há urgência do resgate da espiritualidade da vida comunitária.

 

A vida de comunidade é um desafio ousado e uma resposta ao mundo fragmentado, carregado de ódio e intolerâncias. A cultura do encontro e do diálogo precisa ser alimentada em nossas comunidades. Em um mundo plural, dividido, com vozes agressivas, é um desafio a vivência da “mística do nós”, da missão conjunta, do sentido da coletividade e a defesa do bem comum. Mas a Palavra encarnada, Jesus de Nazaré, nos impele a viver em comunidade na partilha e na solidariedade.

           

A autenticidade e a coerência da vida de comunidade constrangem, atraem e convertem as pessoas, “vejam como eles se amam”. Nas comunidades há confrontos e tensões, mas todos se sentam à mesma mesa, partilham a fé e a vida e, juntos, adquirem forças para enfrentar os desafios. Cada comunidade tem sua identidade, suas realidades próprias e seus desafios. É muito importante conhecer o rosto de nossa comunidade, as forças que temos, as fraquezas, as ameaças e as oportunidades, termos mais tempo de encontros e conversas, mais tempo para nossa espiritualidade comum e, assim, nos fortalecermos para o serviço do Reino de justiça e paz. A vida de comunidade deve nos levar a ter os mesmos sentimentos de Jesus de Nazaré.

         

 Por fim, estamos em direção à uma Igreja sinodal missionária, que vive a dinâmica da corresponsabilidade e da tenda alargada, uma Igreja “em saída”, ministerial, samaritana, pobre com os pobres. “Deus está a preparar algo de novo e nós devemos participar”. Pede-nos “uma escuta que se faz acolhimento”, uma comunidade que tem consciência do sentido de conjunto, que não se fragmenta, mas quer percorrer a estrada juntos e se compromete com quem está perto no caminho.

 

Em 2023, peçamos ao Espírito Santo que sejamos comunidades autênticas e fraternas, carregadas de sentidos e de razões de fé, de amor apaixonado por Jesus de Nazaré, formadas por relações profundas e comprometidas uns com os outros e com a Casa Comum. Que escutemos o grito dos pobres e da terra. Sigamos firmes os passos de Jesus de Nazaré, de Aparecida e de Francisco. Que Deus encontre na Diocese de Guaxupé “Corações ardentes e pés a caminho.”

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