“Não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário” (EG 80)

“Não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário” (EG 80)

Por Padre José Eduardo, Coordenador do COMIDI Leste 2 e assessor diocesano do COMIDI

“Não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário” (EG 80). Essa afirmação que o Papa Francisco apresenta, em sua Exortação Apostólica, compõe uma série de orientações para que os cristãos batizados não caiam nas tentações do tempo presente e não sejam suscetíveis às forças do ‘mundanismo’ que aflige a época em que vivemos, que podem nos roubar tudo aquilo que nos traz esperança e nos torna, de fato, discípulos missionários do Senhor.

“que os cristãos batizados não caiam nas tentações do tempo presente e não sejam suscetíveis às forças do ‘mundanismo”

A realidade, já chamada de pós-pandêmica, que vivemos atualmente, nos mostra os grandes desafios da evangelização. Esta, marcada, ainda, por cristãos que se preocupam em demasia com destaques pessoais e por um certo relaxamento na vida de fé, no cultivo espiritual e no serviço à Igreja e aos mais necessitados. Cabe a nós, discípulos missionários do Senhor, retomarmos nosso entusiasmo missionário e evangelizador e assumirmos, de fato, nossa identidade, a natureza da Igreja.

“A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo” (AG 2).

Nesse trecho, o Concílio Vaticano II recupera a teologia da natureza de nossa Igreja, que é missionária. “Deus é missão; seu amor fontal misericordioso quer comunicar-se ao mundo. Esse amor é o movimento próprio da Trindade. O Filho é o revelador do amor misericordioso do Pai ao mundo e quer levar tudo ao Pai. O Espírito Santo, na sua missão trinitária, plenifica a obra do Pai e do Filho e movimenta a história para que tudo seja um com o Pai.

“A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo” (AG)

Assim, compreendemos que a missão não é algo que seja optativo para nós, cristãos, ou mesmo uma mera atividade pastoral como outras que realizamos cotidianamente, mas é a própria natureza, essência da Igreja. Jesus Cristo é Missão, a Igreja é missão, nós, você e eu, somos missão.

A missão é a razão de nosso ser cristão, “é algo que não posso arrancar do meu ser, se não quero me destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. É preciso nos considerar como que marcados a fogo por essa missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar” (EG 273). Muitos, ainda, “não se dedicam à missão, porque creem que nada podem mudar e assim, segundo elas, é inútil esforçar-se. Com essa mentalidade, torna-se impossível ser missionário” Precisamos fugir desta mentalidade, pois, “Cristo ressuscitado e glorioso é a fonte profunda da nossa esperança, e não nos faltará a sua ajuda para cumprir a missão que nos confia” (EG 275).

“A missão é a razão de nosso ser cristão”

Qual o caminho para que floresça novamente em nossos corações o entusiasmo missionário? Retomarmos a espiritualidade missionária. Segundo São Paulo, em sua Carta aos Romanos, ela é o “caminhar segundo o Espírito” (8,4.9).

Na história bíblica, tantos homens e mulheres partiram, se colocaram no caminho da fé; como Abraão, Moisés, Maria, Pedro, Paulo, se deixaram conduzir pelo Espírito. Ela, a “espiritualidade exprime-se, antes de mais, no viver em plena docilidade ao Espírito, e em deixar-se plasmar interiormente por Ele, para se tornar cada vez mais semelhante a Cristo. Não se pode testemunhar Cristo sem espelhar a Sua imagem, que é gravada em nós por obra e graça do Espírito. A docilidade ao Espírito permitirá acolher os dons da fortaleza e do discernimento, que são traços essenciais da espiritualidade missionária” (RM 87). A espiritualidade missionária também não é algo opcional, ela brota, cresce e floresce da natureza da essência da Igreja. Ela é marca dos seguidores de Jesus, que assumem concretamente os desafios, as necessidades e as opções da Igreja, fazendo de nós, pelo Espírito Santo, testemunhas até os confins da terra (At 1,8) e ao final dos tempos.

Também neste mês, temos a celebração do Mês Missionário, que traz como tema principal “A Igreja é Missão”, com o lema: “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8). A celebração deste mês em nossas comunidades é uma oportunidade de todos nós, missionários e missionárias, vivermos uma pastoral decididamente missionária, que encarne na vida das pessoas de nossas comunidades eclesiais missionárias esse desejo de levarmos as palavras e os ensinamentos de Jesus àqueles que ainda se encontram distantes, e nos anime para nos tornarmos, de fato, uma Igreja em saída.


“Como gesto concreto de solidariedade, em todas as Igrejas deve ser feita a Coleta Missionária, nos dias 22 e 23 de outubro de 2022. Esta coleta é destinada de forma integral para a missão universal”

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